não sem antes chorar mais um pouco, refletia por que os deuses o designaram para ser forte. seu toque era acolhedor, suas mãos aqueciam. “aquela coisa de pele”, sabe? não sabia, queria fugir do destino, não ser a fortaleza. cansado de servir de depositário das aflições dos outros, de dizer o que devia ou não ser feito.
aconteceu: encontrou quem lhe desse ouvido e proteção. do nada surgiu, caminhando na praia, tatuí como testemunha. troca de olhares, conversas compartilhadas, risos. em pouco tempo, reciprocidade e conforto. a atração embutida no desejo de perpetuar aquele acaso. vislumbrar um futuro no plural. singular era responsabilidade demais, o papo dos deuses o quererem forte etc.
mas a salvação foi embora, sem dar chance de algo a mais. nem descobriu nome, casa, redes sociais. guarda apenas uma lembrança: em seus olhos, toda a calma do mundo. para eles reza e agradece. não é bom estar vivo?
agora, sabe: um momento há de ser especial na vida.










