não sem antes chorar mais um pouco, refletia por que os deuses o designaram para ser forte. seu toque era acolhedor, suas mãos aqueciam. “aquela coisa de pele”, sabe? não sabia, queria fugir do destino, não ser a fortaleza. cansado de servir de depositário das aflições dos outros, de dizer o que devia ou não ser feito.

aconteceu: encontrou quem lhe desse ouvido e proteção. do nada surgiu,  caminhando na praia, tatuí como testemunha. troca de olhares, conversas compartilhadas, risos. em pouco tempo, reciprocidade e conforto. a atração embutida no desejo de perpetuar aquele acaso. vislumbrar um futuro no plural. singular era responsabilidade demais, o papo dos deuses o quererem forte etc.

mas a salvação foi embora, sem dar chance de algo a mais. nem descobriu nome, casa, redes sociais. guarda apenas uma lembrança: em seus olhos, toda a calma do mundo. para eles reza e agradece. não é bom estar vivo?

agora, sabe: um momento há de ser especial na vida.

ouviu de quem mais desejava: o tesão desenfreado, a disposição que não cessa, é ISO 9000, certfificado de qualidade, se preocupa não.

seguiu de pau duro, então, fudendo o mundo

“você é a pessoa certa na hora errada”

passou a raiva, ficou a decepção
passou o inverno, ficou no frio
se perguntava quanto ia aguentar
fazia tempo que não gostava
fazia muito mais tempo que não se gostava

adaptava-se à nova sina
tentou fazer contato, pagou com o pouco de auto-estima que lhe restava
subiu a rua inteira procurando por pistas
chorou aos montes ao relembrar o início

um ano. dois anos. o século mudou

até que estancou. e teve um reencontro. dormiram juntos.

engasgou, mas disse:
“você é a hora certa na pessoa errada”

estranho, mas o prédio lhe pertencia. geral lhe devia aluguel e obediência. mais duas casas na rua. o seu canto era simplório. ou simplista? tv a cabo, gatos, revistas de sacanagem escondidas em uma caixa em cima do armário (velho, claro). só isso. nenhuma visita há tempos, nem previsão.

fez a mala, se perfumou com o que considerava cheiroso e partiu para o branco.

novas pessoas acanhadas, retraídas, olhavam a triste e pesada figura. “melhores que as mesmas reprovações de sempre há 42 anos”, pensou. tomou um café e foi para a trilha. só no caminho. nas árvores, juras de amor em corações. achou decente ler algumas e se imaginar entre os nomes. sim, podia se apropriar da vida alheia sem culpa.

quando se aproximava do fim, ela veio afinal. não esperava que, na prática, fosse mais triste que na teoria. tanto que a desejou sobre seu corpo. já dera adeus à chuva, ao sol, ao vento, aos gatos e revistas. faltava a neve. assim se despediu. virou apenas um floco na memória dos conhecidos.

Daquilo que não se pode saber o que é, daquilo que não se consegue enfrentar, a gente foge para sobreviver.

Coiote / Roberto Freire

o blog surgiu lá pelas tantas, quando cobria férias do setorista da madruga. antes dele, outros existiram, de frases engraçadas dos colegas, de blá-blá-blá, até em francês para treinar o idioma. aí, veio a lacuna, o facebook, o twitter.  mas o blog continuou em seu cantinho, quietinho, como a casa de nossos pais onde teremos (eu tenho) sempre portas abertas e cobertores macios.

muita coisa mudou, em me mudei, eu sigo mudando. se o blog vai mudar em ‘algo alguma coisa’, não sei. ele (ainda) existe e isso basta. vai conversar comigo, vai dar as caras quando tiver vontade. só quer firmar sua existência para não se perder poi aí (dá-lhe mutantes). sigamos adiante. por agora, é o que temos.

Sem mais palavras... (Foto: Alexandre Durão/AgNews)

Sem mais palavras... (Foto: Alexandre Durão/AgNews)

Mas sempre era muito mais que um ano; e nunca, muito menos que um segundo.

Limite Branco / Caio Fernando Abreu

há dias que só no treino mesmo…

o trocadilho é infame, eu sei, mas vale.  basta sentir a deliciosa simplicidade da saga de Antoine Doinel. já tenho leitura de férias: uma biografia do moço, que há tempos queria comprar.

<i>alex, je pense que tu est très innocent</i>

alex, je pense que tu est très innocent

em um passado nem tão remoto assim, amigos e amantes costumavam se presentear dando uma fita cassete. 60 minutos de música especialmente escolhida, gravada e dedicada a alguém, divididos pelos lados a e b. dependendo do afeto pela pessoa, até rolava uma fita de 90 minutos.

e agora, me vejo presenteando um amigo com um pen drive com 2 gb de canções…

se na novela o pen drive guarda o segredo de milhões, na realidade esta tecnologia também pode guardar uma valiosa lembrança – que só quem já recebeu uma fita cassete um dia sabe o que representa.

(eu ganhei duas fitas em minha vida, de dois amigos queridos: the doors e  roberto carlos/jovem guarda).

ó pá, já estou me apegando aos portugueses

ó pá, já estou a me apegar aos portugueses...

sonhei que um primo de recife, que não devo ver há uns 15 anos, vinha me visitar. ‘mas eu não tenho nem o que falar com ele’, pensava. sabe-se lá por que descobria que ele também gostava de william fitzsimmons. 

It’s Not True é bem bonitinha.

Should i decide it’s true
that you would leave if given half the chance to go
and i’d be left here on my own to find myself in bed
wishing everything that changed would be the same

 

sp, damien rice, floripa, alanis morissette, amigos, cerveja, rede, sol e mais…

pântano do sul, tô chegando!

pântano do sul, tô chegando!

já me falaram que me eu pareço com o ângelo antônio, mas agora descobri que sou a cara do… pinochet, barrichello e roger moore! é o que diz o site www.myheritage.com. estes foram os resultados mais frequentes, mas também fui lady di (?) e o hobbit namorado do frodo entre outras bizarrices.  

ditador, perdedor (mas com grana) ou pegador?

ditador, perdedor (mas com grana) ou pegador?

Próxima Página »

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.